Sexta-feira 13: um pouco de história

14 04 2007

Hoje é sexta-feira 13! Apesar de ser uma data como qualquer outra, muitos mitos e crendices surgiram a respeito desse dia. Eu, particularmente, considero o número 13 associado à sorte, até porque foi num dia 13 que eu nasci! À parte das crendices populares, existe uma fundamentação histórica para o fato de hoje ser considerado o “dia do azar”. Como o Grãos e Pixels não é um blog só sobre fotografia, vamos ter agora uma aulinha de história:

Tudo teria começado na França, no início do século XIV, em conseqüência dos constantes traumas financeiros do rei Filipe, o Belo (1268-1314), e da degeneração das relações entre Paris e Roma. Esgotados todos os clássicos métodos medievais de salvação do seu tesouro, como o sequestro de propriedades, a prisão dos judeus e a desvalorização da moeda, em desespero o monarca resolveu taxar a Igreja Católica.

Era pontífice, na época, Bonifácio VIII (1235-1303), descrito como “olhos e língua ferozes em um corpo completamente decrépito… um demônio”. Para retaliar as medidas de Filipe, o Papa baixou um édito e proibiu a cobrança de impostos ao clero. Filipe, claro, reagiu com a energia disponível. Fechou as fronteiras da França à saída de ouro, cortou a fonte de fundos de Roma e da Igreja – e, pior, aprisionou o Bispo de Pamiers, acusado de blasfêmia, de fornicação e de feitiçaria.

Bonifácio contra-atacou com um comunicado, no qual condenou a detenção do Bispo e revogou os privilégios divinos do Belo. Felipe queimou o comunicado em praça pública. O Papa redigiu um outro, uma advertência, uma ameaça: “A Igreja é uma criatura de apenas uma cabeça, não um monstro de duas”. Inesgotável, Filipe também denunciou o Papa por blasfêmia, por feitiçaria e até mesmo por sodomia. Enfim, Bonifácio excomungou Filipe e determinou aos seus núncios que espalhassem um boato tenebroso: a punição brutal se estenderia, igualmente, à França inteirinha.

A convulsão eclodiu. Os camponeses se agitaram de pavor. Filipe declarou não se incomodar com a excomunhão – preferia a revolução. E, em 1303, enviou um exército à Itália e capturou o Papa. Um mês depois, Bonifácio faleceria. Alguns historiadores dizem que morreu de raiva. Outros, que bateu a cabeça numa parede até arrebentá-la. Um Papa leal a Filipe, de nome Benedito XI (1240-1304), o Abençoado, assumiu a Igreja. A sua ascensão, porém, não aliviou a crise econômica da França.

Dois anos depois, em 1305, Filipe enviuvou e tentou se juntar à Sociedade dos Templários, cavaleiros que se consideravam especiais e que buscavam o Santo Graal, a taça utilizada por Cristo na Última Ceia. Na realidade, Filipe meramente pretendia se assenhorear das riquezas que, de quebra, os Templários surrupiavam. Os Templários, no entanto, suprema humilhação, vetaram a entrada de Filipe no seu time.

Em 1306, sob o comando de Jacques de Molay, os cavaleiros retornaram de uma investida através da chamada Terra Santa, no Oriente Médio, com as bagagens carregadas de riquezas – que negaram ao monarca. Desesperado, numa madrugada, Filipe triplicou os valores de tudo que se comercializava na França. E a rebelião explodiu de vez. A população pediu a sua cabeça. Acovardado, Filipe implorou a proteção dos Templários.

Novamente os cavaleiros refugaram. Apenas restou a Filipe se esconder. E, refugiado, a planejar a vingança. Aliás, uma ação surpreendente, na montagem e no resultado. Em 14 de Setembro de 1307, remeteu ordens seladas a todos os seus fiéis seguidores e a todos os seus oficiais. Ordens que apenas deveriam ser abertas na noite de 12 de Outubro. Inacreditável. Ninguém traiu o rei. Daí, na manhã do dia 13, começou a perseguição aos Templários. Estima-se que, até o entardecer daquela data, 5.000 acabaram radicalmente enjaulados.

Na noite de 13 de Outubro de 1307, precisamente uma sexta-feira, os fiéis de Filipe torturaram e massacraram os Templários das formas mais abomináveis – da retirada da pele ao cruel empalamento. Tudo em nome do orgulho real. Justificativa: a aliança dos Templários com o Mal e com a magia negra. Consta que vinte cavaleiros escaparam da perseguição, sobreviveram – e amaldiçoaram a data para todo o sempre.

Fonte: Danilo Corci








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